7 07UTC outubro 07UTC 2009

Sem Titulo.

Pesadelos….

O que quero ao gritar a todos que eu quero apenas você?

Não consigo saber, como eu pude ser tão fraco.

Ao te abandonar, eu libertei aquilo que sempre temi.

Amores, perdidos nunca são encontrados.

Percebo que todas as minhas trilhas por mais longe que sejam, te levam a você

E isto acaba me dando medo, mas porque eu temo sorrir?

Estou acostumado ao vazio, ao pegar os pedaços de minha alma no chão.

Perdão por sorrir, que doce ironia não?

Perdão por vim, chegar e voltar aquilo que de tão longe, eu fantasio.

Agora eu vejo que o perdão é o remédio de almas vivas penadas que andam pelas noites frias buscando a tranqüilidade de uma tempestade.

Nem mais a dor me reconforta, mas eu sei que toda a busca não me leva a nenhum lugar.

Como posso caminhar em um vale de amarguras e ódio, se meu lado humano costuma me pregar peças?

Já escuto de longe as trombetas dos vingadores, que vem me aplicar à sentença.

Eu só queria dizer, sentir, provar e viver uma única vez.

Por que uma marca tão profunda? Que me segura nesta vida tola.

Porque não mais lutar, para fugir, eu posso eu consigo, mas não quero.

Perdão por te incomoda, mas agora sabe que como antes eu quero apenas um abraço.

Nada mais que um abraço.

E mais uma vez meu lado humano tem sucesso e me traz aqui.

Porque tão profunda marca não deixa mais achar para quem realmente me fez um dia amar?

criado por waldir.alves807    14:49 — Arquivado em: Pesadelos E Sonhos

29 29UTC setembro 29UTC 2009

Preso da Escuridão.

Meu coração arde em solidão. A casa esta vazia novamente.

Consome-me fogo, venha fazer seu papel, escuta minhas palavras.

Se para ficar eu terei que acreditar e rezar, eu verei, eu temerei.

Escutarei tudo para ser, o que? O que faço para ficar perto de você;

Como pude deixar aquela que me alegrava.

É que não pode se ver, não pode mas, apenas um beijo.

Aquilo único beijo me faz voltar ao mundo que queria.

Posso te tocar? Posso falar, doces frases em sua orelha.

Poderia vomitar a frase “eu te amo”, escuridão me cercando cada vez mais.

Tudo acontece devagar, ninguém escapa, reza por mim porque estou apaixonado,.

Estou apaixonado por você outra vez, mas você está tão longe, mas lembro.
Suas palavras, seu rosto, sua respiração, seu cheiro, seu coração…

Mas, o que você só me olha.

Então eu acabarei com este sofrimento.

E a escuridão cresce cada vez mais, por favor, volte para meu mundo.

Estou cercado de Dor e a escuridão cresce cada vez mais.

Eu grito, eu vejo, mas não posso ser visto ou ouvido.

Eu tenho tanto amor para te dar, porem eu não posso ser visto.

Volta, me traz a luz, me traga deste coma com um beijo.

Tornei-me invisível no mundo que eu mesmo construí.

criado por waldir.alves807    12:17 — Arquivado em: Pesadelos E Sonhos

27 27UTC agosto 27UTC 2009

Alguem especial

Finalmente tive coragem de postar, a um alguem mais que especial, que foi e sempre será.

Leia ao final as Letras iniciais em Negrito e só quero dizer, que nem todos os poemas do mundo podem resumir o que aconteceu e espero que um dia aconteca.

Toda vez que me lembro de como fui tolo ao me distanciar de quem gostava de mim.
Enxergo em cada alvorada a chance de redenção, alcançar o teu perdão, palavra forte.

Aos erros do passado eu me afundo cada vez mais, queria poder me arrepender.
Destruí os laços que me mantinham são, agora a solidão me consome como o álcool que me mata.
Outrora buscava refugio em teus abraços, agora busco renovar aqueles laços que nunca mais poderão ser reconquistados.
Refugio, sim doce anjo sempre que me perdi me achei em você, tantos anos que andam sem ter um lar para voltar.
Os erros que cometi não posso me arrepender, pois as escolhas de me tornar algo diferente só mudou o meu semblante, que cada vez torna-se mais escuro.

Karina era o lado bom de minha alma, mantinha meus demônios em suas jaulas, agora que se foi a tempos que eles saem para brincar.
Aos mortos que se foram por mim, peço perdão, aos que te fiz queira me desculpar.
Razão, palavra insana e irracional, todo o mortal quer buscar o racional para seus erros.
Instantes que olho aquela velha foto que minha mente tirou de seu sorriso, até sinto o seu cheiro, o calor dos teus abraços.
Naquela ultima noite que me virei em busca do meu futuro, escolhi cair em abismo que não teve volta, naquele mesmo ano Deus me puniu e agora sei que esta mancha em minha alma nunca será limpa.
Aprendi a viver sem você, mas nunca deixei de pensar como seria a vida com você.

criado por waldir.alves807    13:10 — Arquivado em: Pesadelos E Sonhos

25 25UTC agosto 25UTC 2009

ANIA C.O.C

Desculpe pelo longo tempo sem postar absolutamente nada, mas agora acho que vai ficar regular os posts ^^
Agradeço a todos que lerem, e gostar e agradeço a todos que não gostarem tambem, afinal nem sempre se agrada a todos >.<

Falando de ANIA C.O.C

Vem tirar meu sono, vem me fazer escravo de você.

Teu perfume é doce e engana quem não te conhece tão doce que esconde o mal que carrega.

Quando estou com você meu coração dispara, me sinto livre, posso e consigo tudo.

A bebida já não faz mais efeito, nem aquele cigarro me ficar longe de você…

Não tem forma certa, mas existe. E quem abre as portas pra você paga caro por duvidar.

Chega e vicia a todos contando suas historias, sempre cheias de emoção e romances.

A quem beijar tira o apetite, quem não te usar com cuidado dama das noites irá perder tudo.

Eis pior que o qualquer cachaça, tão venenosa quanto a pior das víboras…

Com você arriscamos tudo, pior que o jogo de poker do rendevour de madame Lola.

Até nos jogos de azar sabemos que alguém irá ganhar…

Com você vulto branco, não há vencedor, só a falsa ilusão de vitória…

Mas, que é gostoso sentir teu amargo gosto nos lábios, não há ninguém que possa negar.

criado por waldir.alves807    16:37 — Arquivado em: Pesadelos E Sonhos

17 17UTC maio 17UTC 2009

3 em 1.

Mais uma vez demorei tanto tempo pra postar.
então escrevi 3 e postei ^_^
Beijos a todos e agora demoro mais novamente.
Contradições.

Como que diz que nunca amou fala tanto dela?
A quem tenta enganar ou impressionar.
A poesia tenta que sai do som do velho violino desafinado é acariciado pelas notas do piano.
Enquanto você apenas assiste a dança no céu, você esconde quem eis.
Já não sabe mais seus objetivos, tornar-se um ser banal.
Tudo aquilo que você nunca quis ser esta refletida em você.
Eis o reflexo típico de um ninguém que vive a trabalhar para ser lembrado como trabalhador no dia de sua morte.
Mas, esqueça ninguém irá ao seu enterro e este ninguém é o vazio.
Nem seu piano, seu violino, seus amigos, sua sombra, seu reflexo, sua amada e tão pouco eu, morrera sozinho tão como viveu.
Ainda vai falar de amor? Ser vazio que se enche de vida quando rouba a de outro.
Busca agora o teu caminho ou ele sumirá e você continuará nessa tormenta.
E a discussão do piano com o violino continua.


Estranho em mim.

Afasta de mim, não mereço esse vitae.
Não mereço mais nada, nem a morte.
Devo ficar num buraco negro aonde não existe nada.
Nem o nada acho que mereço, devo pagar o preço.
Por ser assim um estranho dentro de mim.
Olho-me no espelho amigo e não sei mais o que é aquilo refletido em mim.
Será que o pouco de juízo que tinha finalmente acabou?
Nem uma lagrima cai, sinto um vazio que chega a ponto de não sentir nada.
Não quero mais perder a humanidade que resta fazendo de outras dores meu consolo.
Já estou com sono, só queria deitar em cima daquela pedra mais alta que recebe o primeiro beijo do sol no amanhecer.
Só queria ouvir suas ultimas palavras no dia que eu morrer.

Herança.

Desperta, doce criança da noite.
Veja abra os olhos para sua nova vida.
Cometi o maior pecado que um anjo caído pode fazer.
Sua morte foi preenchida com vida eterna.
Agora você irá desejar nos próximos 500 anos a morte te abraçar.
Verá que agora ninguém te Dara a mão, está só na solidão.
As suas serão teu guia, o colo quente das raparigas serão tuas frustrações.
A musica vai te tocar de um jeito diferente. O álcool não te fará mais feliz.
Irá buscar os bêbados para te satisfazer e as frustrações se mostram.
Mas, agora agradece quem te amaldiçoa vou te ensinar como não morrer.
E para que um imortal precisa saber como não morrer?
A resposta é simples depois de dois mil e duzentos anos vagando pelo mundo.
Já não tem mais nada que você não fez.
E a morte cada dois mais parece ser convidativa.
Agora se deite comigo, o mais irônico é dizer para um imortal.
Venha me abrace não percamos tempo, pois não sabemos o dia de amanhã.
E tudo se repete a morte cada vez mais perto de se distanciar de mim.

criado por waldir.alves807    23:42 — Arquivado em: Sem categoria

25 25UTC março 25UTC 2009

Seção Jack Sangrento

Primeiro vou postar um poema de quase 10 anos atras. e liguem os pontos para entender ^_^

“Me de sua mão para adentrar na escuridão

Como era suas poesias, quando tinha 15anos?
Como são nesses dias com mais saber humano?
Hoje aos 20 anos se alegre com sua evolução
O poema cheio de regras hoje sai com precisão
Você adquiriu sabedoria que aumentara dia a dia
Mas, olhe a sua beleza ela se encontra no topo.
Eu lhe digo com certeza o tempo comerá seu corpo.
Mais eu sou a sua solução ponha aqui sua mão e relaxe o coração.
Deixe-me te beber e depois te devolver.
Seu sangue abençoado se tornará amaldiçoado, porem a triste maldição lhe dará a doce coondenação.
De amadurecer seu saber e seu corpo se manter venha criança da noite.
Venha viver sua pós vida agora olhe para tras e dê sua ex vida uma definitiva despedida”

Neste momento eu sabia que era diferente assinei minha sentença, completei 22anos a pouco e cada dia que passa ficava com insonia querendo escrever isso, foi quando hoje eu terminei estes.
Parece que o Jack resolveu voltar e nos atormentar novamente…
E desta eu vou me deixar por vencido no chão enquanto assisto ele cuidar dos meus doces desejos.

Segue os poemas que ele escreveu:

” Lavado com sangue e honra

Quase 10 anos se passaram.
E vejo que aquilo que temia realmente aconteceu.
Poemas obscuros, lindos para mim jamais irei escrever.
Agora sou tomado por uma busca de um amor irreal, buscas tolas que trazem apenas o desespero.
Amor (…) Ou  apenas buscamos um alguem que chore no dia de nossa morte AMEM.
Para minha sorte me completo novamente, sim, sou eu voltei o Jack renasce do desejo deste tolo escritor que com toque de ironia se reflete a mim no espelho.
Acordem doces crianças da noite que um dia reinaram por estas terras.
Agora sei quem pediu  a minha mão para entrar neste reino foi apenas um alguem igual a nós que já teve sonhos que provou do sangue vivo da dor.
E agora comanda e norteia as crianças da noite que cresceram.
Sim, agora somos seres sombrios que contam sempre aos mais novos como era a nossa epoca de criança.
Leia e concorde e depois acorde para vida verme.
Veja o que faz até hoje quanta diversão perdeu.
Eu digo e afirmo.
Me siga para o abismo, grite com emoção sim.
O Jack voltou a reinar nesta mansão”

Segue mais um:

“Doce Pecado

Nunca irei me ajoelhar.
Mesmo com esta faca na mão eu digo que não fui eu.
Sim, vou contar como tudo aconteceu.
Eu simplesmente matei aquela que um dia amei.
E porque? Não sei. Tem Remorso? Não sei.
Faria denovo? Não sei. E Gostou? ADOREI!!!
A força, a impnencia, o comando de escolher a hora e como alguem vai morrer.
A musica que a vitima canta enquanto perde a vida “Socorro!!!, me salva, não me mata, piedade, eu te amo, para com isso”.
Foi tão lindo pena que é mentira apenas para continuar viva mas, minha querida te eternizei nas paginas de um jornal a sua foto está lá linda, jovem, decaptada, estripada e estrangulada.
Veja amada até na T.V te fiz aparecer.
“Morre jovem esposa, pelo marido louco, ele confessa que não foi ele, mesmo sendo encontrado deitado ao lado do corpo sussurando alguma coisa no ouvido da cabeça cortada”.
Viu amor, te eternizei como prometi é realmente uma pena você não ver, enfim, logo mais meu tempo neste mundo irá acabar eu sinto que eu tenho o poder e posso dizer onde e ahora que eu vou morrer

Jack Sangrento 08/08/2031″

E eu que pensava que ele nunca mais iria voltar, as vezes eu acho que sempre desejei isso, voltar as velhas farras como Jack sempre com historias, sempre cheio de duvidas sobre o amanha, sempre cheios de sonhos, dinamico é isto que falta em mim e foi o que acordou ele novamente.

“Desejos que semprem voltam

Eu sempre sonhei com meu futuro.
Eu sempre vi como seria a vida.
Eu sempre conheci a minha esposa.
Eu sempre sonhei como seria meu filho.
Eu sempre sonhei com o baile da minha filha.
Eu sempre vi um lugar bonito.
Agora estou acordado embaixo da chuva vendo meu presente.
Agora estou acordado lutando para salvar minha vida.
Agora estou acordado esfaqueando minha esposa.
Agora estou acordado deformando a cara do meu filho com acido.
Agora estou acordado dando um tiro na cabeça da minha filha.
Agora estou acordado prevendo para onde irei.
Estou sonhando ainda com aquele dia do passado.
Estou sonhando ainda como foi a minha vida no passado.
Estou sonhando ainda com a minha esposa agonizando no chão.
Estou sonhando ainda com meu filho sem rosto rolando da escada.
Estou sonhando ainda com todo o sangue da minha me lavando a alma.
Estou sonhando ainda como irei contruir o futuro que sempre vi.
As ilusões acabam é hora de acordar já contei demais.
O Jack já fez suas malas e esta esquentando o carro, enquanto eu jogo gasolina na casa.
Vejo que futuro terei, vejo para onde vou e vejo como será daqui para frente.
Espero estar ERRADO.”

Tudo tem um fim e Jack parece ter mostrado o meu.

“Acabado

Chorei por saber que tudo acabou.
Lembrei que nada existiu e antes que existisse eu terminei.
Senti que era tarde para começar a amar.
Rezei para que a fera em mim não acorda-se mais.
O sangue caiu na minha boca, a fome o traz devolta.
A fera sempre esperou a oportunidade certa e eu vacilei.
Não me deixem sozinho comigo porque sei que sou fraco demais para ganhar do Frenesi.
Agora termino esta pedindo a todos que rezem para que vocês encontrarem o Descanso Eterno.”

Deixarei o Jack Reinar por mais um tempo, vamos ver até onde meu corpo ira aguentar.

criado por waldir.alves807    17:36 — Arquivado em: Pesadelos E Sonhos

22 22UTC março 22UTC 2009

A Chuva

Demorei para postar algo, versão longe de casa ^^
Enfim, beijos a todos

A Chuva

Céu cinza, sem dor.

Um estrondo quebra o silêncio.

Eis um trovão sempre, bravo e lindo.

As nuvens tomam formas divinas.

E são pintadas pelo brilho do Relâmpago.

As gotas descem suavemente do céu.

Beijando a todos, tocando em seus corpos.

Contemplo e fico imaginando, tu eis igual à chuva.

Chega sem avisar, invade todos lugares.

Acaricia meu corpo, lava minha alma.

Fez-me sentir-se Jovem novamente.

E no apogeu desta dança sem fim.
Parte deixando apenas o sol para mim.
eis malvada, cruel.
eis chuva que caiu.
Dentro de um coração que já se partiu.

criado por waldir.alves807    19:26 — Arquivado em: Pesadelos E Sonhos

5 05UTC fevereiro 05UTC 2009

^_^

Não Consegui Deixar como Testemunho, Porque tem Mais de 1024 Caracteres ^_^
Enfim, espero que goste  beijosss

Não sabia que resposta teria ao verte novamente.
Aquela doce sensação de amor volta desta vez incontrolavelmente.
Tanto tempo passado e vejo que eis linda e doce como sempre foi.
A luz dos teus olhos ao tocarem nos meus me trouxe a vontade.
Lembro muito bem que passei anos cultivando uma raiva daqueles que te levaram de mim.
Ignorância a minha, pois, só tenho a agradecer aprende a ser mais forte e maduro.
Agora luto para conquistar o que 12anos tiraram de mim, o seu amor.

E espero com todo carinho conseguir, pois sei que é você.
Utilizo meio para tentar te conquistar, porem fico mais apaixonado a cada dia.

Tal amor fala que é proibido e pecado, mas que pecado existe em amor verdadeiro?
Eu sei que pensa que falo de boca e sei que não sou o mais belo do reino.

Apesar de todos estes defeitos eu posso te dizer uma qualidade em mim, Você.
Me completo com você, sinto vontade de continuar, erro ao tentar um beijo teu roubar.
O caminho para a felicidade eterna será quando o seu destino cruzar com o meu.

criado por waldir.alves807    11:14 — Arquivado em: Sem categoria

4 04UTC fevereiro 04UTC 2009

Das noites no Bordel.

Perdão tanto tempo sem postar nadaaaaa
estava relaxando e resetando a mente, tentarei postar 1 vez na semana ^^
segue o texto - Neste texto utilizei formas do neoclassicismo, que consistia em observar um alguem conhecido ou não, e fazer alguns relatos sobre ele, dando um sentido de entrevista ou teu ponto de vista sobre esta enfim, Apresento “Rinaldo Bellomo” é um sujeito de meia idade, trabalho fixo, apaixonado pela vida perdida e todos os tipo de prazeres que a terra a oferecer seguirá mais alguns textos sobre ele ^^
Das Noites No Bordel.

Ela, Sonhadora diva dos prazeres carnais.
Faz com que todos se sintam carniçais.
Come-lhe a carne, engole teu gosto.
Por ela muitos homens estão dispostos.
A darem tudo que tem em seus bolsos.

Beijo fatal de uma viúva negra.
Que hipnotiza qualquer com seu gingar.
Quem é ela? Esta dama da noite.
Fica ali a espreita de mais um.
Para aquecer sua cama e aumentando a fama.

Dentre as camélias deste jardim.
Eis a mais bela de certo eu digo.
Que outra igual a ti não há.
E faço de tudo para noutro dia te comprar.
Custe o que custar ela mais uma vez virá.
Em minha cama me conquistar.

Relato de um eterno Apaixonado da Vida Boemia – *Rinaldo Bellomo (1840 – 2000)

* Pesquisarem sobre este nome “Rinaldo Bellomo” - é um sujeito atual da area medica, apenas gostei do nome e me deu esta ideia ^^

criado por waldir.alves807    10:42 — Arquivado em: Sem categoria

16 16UTC dezembro 16UTC 2008

O ENFERMEIRO

Achei lindo…
Machado de Assis gente, espero um dia construir um texto tão ricoooo

Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos; estou desenganado.

Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras coisas interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel; o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia isto e queira-me bem; perdoe-me o que lhe parecer mau, e não maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu- me um documento humano, ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol. nem a fotografia dos Macabeus; peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a ninguém mais.

Já sabe que foi em l860. No ano anterior, ali pelo mês de agosto, tendo eu quarenta e dois anos, fiz-me teólogo. - quero dizer, copiava os estudos de teologia de um padre de Niterói, antigo companheiro de colégio, que assim me dava. delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele mês de agosto de 1859, recebeu ele uma carta de um vigário de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao Coronel Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou- me, aceitei com ambas as mãos, estava já enfarado de copiar citações latinas e fórmulas eclesiásticas. Vim à corte despedir-me de um irmão, e segui para a vila.

Chegando à vila, tive más notícias do coronel. Era homem insuportável, estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos. Gastava mais enfermeiros que remédios. A dois deles quebrou a cara. Respondi que não tinha medo de gente sã, menos ainda de doentes; e depois de entender-me com o vigário, que me confirmou as notícias recebidas, e me recomendou mansidão e caridade, segui para a residência do coronel.

Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. Não me recebeu mal. Começou por não dizer nada; pôs em mim dois olhos de gato que observa; depois, uma espécie de riso maligno alumino-lhe as feições. que eram duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dois eram até gatunos!

- Você é gatuno?

- Não, senhor.

Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto. Colombo? Não, senhor: Procópio José Gomes Valongo. Valongo? achou que não era nome de gente, e propôs chamar-me tão-somente Procópio, ao que respondi que estaria pelo que fosse de seu agrado. Conto-lhe esta particularidade, não só porque me parece pintá-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a melhor idéia ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vigário, acrescentando que eu era o mais simpático dos enfermeiros que tivera. A verdade é que vivemos uma lua-de-mel de sete dias.

No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias, e, às vezes, rir delas, com um ar de resignação e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte. Tudo impertinências de moléstia e do temperamento. A moléstia era um rosário delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de três ou quatro afecções menores. Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e a humilhação dos outros. No fim de três meses estava farto de o aturar; determinei vir embora; só esperei ocasião.

Não tardou a ocasião. Um dia, como lhe não desse a tempo uma fomentação, pegou da bengala e atirou-me dois ou três golpes. Não era preciso mais; despedi-me imediatamente, e fui aprontar a mala. Ele foi ter comigo, ao quarto, pediu-me que ficasse, que não valia a pena zangar por uma rabugice de velho. Instou tanto que fiquei.

- Estou na dependura, Procópio, dizia-me ele à noite; não posso viver muito tempo. Estou aqui, estou na cova. Você há de ir ao meu enterro, Procópio; não o dispenso por nada. Há de ir, há de rezar ao pé da minha sepultura. Se não for, acrescentou rindo, eu voltarei de noite para lhe puxar as pernas. Você crê em almas de outro mundo. Procópio?

- Qual o quê!

- E por que é que não há de crer, seu burro? redargüiu vivamente, arregalando os olhos.

Eram assim as pazes; imagine a guerra. Coibiu-se das bengaladas; mas as injúrias ficaram as mesmas, se não piores. Eu, com o tempo, fui calejando, e não dava mais por nada; era burro, camelo, pedaço d’asno, idiota, moleirão, era tudo. Nem, ao menos, havia mais gente que recolhesse uma parte desses nomes. Não tinha parentes; tinha um sobrinho que morreu tísico, em fins de maio ou princípios de julho, em Minas. Os amigos iam por lá às vezes aprová-lo, aplaudi-lo, e nada mais; cinco, dez minutos de visita. Restava eu; era eu sozinho para um dicionário inteiro. Mais de uma vez resolvi sair; mas, instado pelo vigário. ia ficando.

Não só as relações foram-se tornando melindrosas, mas eu estava ansioso por tornar à Corte. Aos quarenta e dois anos não é que havia de acostumar-me à reclusão constante, ao pé de um doente bravio, no interior. Para avaliar o meu isolamento, basta saber que eu nem lia os jornais; salvo alguma notícia mais importante que levavam ao coronel, eu nada sabia do resto do mundo. Entendi, portanto, voltar para a Corte, na primeira ocasião, ainda que tivesse de brigar com o vigário. Bom é dizer (visto que faço uma confissão geral) que, nada gastando e tendo guardado integralmente os ordenados, estava ansioso por vir dissipá-los aqui.

Era provável que a ocasião aparecesse. O coronel estava pior, fez testamento, descompondo o tabelião, quase tanto como a mim. O trato era mais duro, os breves lapsos de sossego e brandura faziam-se raros. Já por esse tempo tinha eu perdido a escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia dentro de mim um fermento de ódio e aversão. No princípio de agosto resolvi definitivamente sair; o vigário e o médico, aceitando as razões, pediram- me que ficasse algum tempo mais. Concedi-lhes um mês; no fim de um mês viria embora, qualquer que fosse o estado do doente. O vigário tratou de procurar-me substituto.

Vai ver o que aconteceu. Na noite de vinte e quatro de agosto, o coronel teve um acesso de raiva, atropelou-me, disse-me muito nome cru, ameaçou-me de um tiro, e acabou atirando-me um prato de mingau, que achou frio; o prato foi cair na parede, onde se fez em pedaços.

- Hás de pagá-lo, ladrão! bradou ele.

Resmungou ainda muito tempo. Às onze horas passou pelo sono. Enquanto ele dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d’Arlincourt, traduzido, que lá achei, e pus-me a lê-lo, no mesmo quarto, a pequena distância da cama; tinha de acordá-lo à meia-noite para lhe dar o remédio. Ou fosse de cansaço, ou do livro, antes de chegar ao fim da segunda página adormeci também. Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o.

Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei-o para chamá-lo à vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei à sala contígua, e durante duas horas não ousei voltar ao quarto. Não posso mesmo dizer tudo o que passei, durante esse tempo. Era um atordoamento, um delírio vago e estúpido. Parecia-me que as paredes tinham vultos; escutava uma vozes surdas. Os gritos da vítima, antes da luta e durante a luta, continuavam a repercutir dentro de mim, e o ar, para onde quer que me voltasse, aparecia recortado de convulsões. Não creia que esteja fazendo imagens nem estilo; digo-lhe que eu ouvia distintamente umas vozes que me bradavam: assassino! assassino!

Tudo o mais estava calado. O mesmo som do relógio, lento, igual e seco, sublinhava o silêncio e a solidão. Colava a orelha à porta do quarto na esperança de ouvir um gemido, uma palavra, uma injúria, qualquer coisa que significasse a vida, e me restituísse a paz à consciência. Estaria pronto a apanhar das mãos do coronel, dez, vinte, cem vezes. Mas nada, nada; tudo calado. Voltava a andar à toa, na sala, sentava-me, punha as mãos na cabeça; arrependia-me de ter vindo. - “Maldita a hora em que aceitei semelhante coisa!” exclamava. E descompunha o padre de Niterói, o médico, o vigário, os que me arranjaram um lugar, e os que me pediram para ficar mais algum tempo. Agarrava-me à cumplicidade dos outros homens.

Como o silêncio acabasse por aterrar-me, abri uma das janelas, para escutar o som do vento, se ventasse. Não ventava. A noite ia tranqüila, as estrelas fulguravam, com a indiferença de pessoas que tiram o chapéu a um enterro que passa, e continuam a falar de outra coisa. Encostei-me ali por algum tempo, fitando a noite, deixando-me ir a urna recapitulação da vida, a ver se descansava da dor presente. Só então posso dizer que pensei claramente no castigo. Achei-me com um crime às costas e vi a punição certa. Aqui o temor complicou o remorso. Senti que os cabelos me ficavam de pé. Minutos depois, vi três ou quatro vultos de pessoas, no terreiro, espiando, com um ar de emboscada; recuei, os vultos esvaíram-se no ar; era uma alucinação.

Antes do alvorecer curei a contusão da face. Só então ousei voltar ao quarto. Recuei duas vezes, mas era preciso e entrei; ainda assim, não cheguei logo à cama. Tremiam-me as pernas, o coração batia-me; cheguei a pensar na fuga; mas era confessar o crime, e, ao contrário, urgia fazer desaparecer os vestígios dele. Fui até a cama; vi o cadáver, com os olhos arregalados e a boca aberta, como deixando passar a eterna palavra dos séculos: “Caim, que fizeste de teu irmão?” Vi no pescoço o sinal das minhas unhas; abotoei alto a camisa e cheguei ao queixo a ponta do lençol. Em seguida, chamei um escravo, disse-lhe que o coronel amanhecera morto; mandei recado ao vigário e ao médico.

A primeira idéia foi retirar-me logo cedo, a pretexto de ter meu irmão doente, e, na verdade, recebera carta dele, alguns dias antes, dizendo-me que se sentia mal. Mas adverti que a retirada imediata poderia fazer despertar suspeitas, e fiquei. Eu mesmo amortalhei o cadáver, com o auxílio de um preto velho e míope. Não saí da sala mortuária; tinha medo de que descobrissem alguma coisa. Queria ver no rosto dos outros se desconfiavam; mas não ousava fitar ninguém. Tudo me dava impaciências: os passos de ladrão com que entravam na sala, os cochichos, as cerimônias e as rezas do vigário. Vindo a hora, fechei o caixão, com as mãos trêmulas, tão trêmulas que uma pessoa, que reparou nelas, disse a outra com piedade:

- Coitado do Procópio! apesar do que padeceu, está muito sentido.

Pareceu-me ironia; estava ansioso por ver tudo acabado. Saímos à rua. A passagem da meia-escuridão da casa para a claridade da rua deu-me grande abalo; receei que fosse então impossível ocultar o crime. Meti os olhos no chão, e fui andando. Quando tudo acabou, respirei. Estava em paz com os homens. Não o estava com a consciência, e as primeiras noites foram naturalmente de desassossego e aflição. Não é preciso dizer que vim logo para o Rio de Janeiro, nem que vivi aqui aterrado, embora longe do crime; não ria, falava pouco, mal comia, tinha alucinações, pesadelos…

- Deixa lá o outro que morreu, diziam-me. Não é caso para tanta melancolia.

E eu aproveitava a ilusão, fazendo muitos elogios ao morto, chamando-lhe boa criatura, impertinente, é verdade, mas um coração de ouro. E, elogiando, convencia-me também, ao menos por alguns instantes. Outro fenômeno interessante, e que talvez lhe possa aproveitar, é que, não sendo religioso, mandei dizer uma missa pelo eterno descanso do coronel, na igreja do Sacramento. Não fiz convites, não disse nada a ninguém; fui ouvi-la, sozinho, e estive de joelhos todo o tempo, persignando-me a miúdo. Dobrei a espórtula do padre, e distribuí esmolas à porta, tudo por intenção do finado. Não queria embair os homens; a prova é que fui só. Para completar este ponto, acrescentarei que nunca aludia ao coronel, que não dissesse: “Deus lhe fale n’alma!” E contava dele algumas anedotas alegres, rompantes engraçados…

Sete dias depois de chegar ao Rio de Janeiro, recebi a carta do vigário, que lhe mostrei, dizendo-me que fora achado o testamento do coronel, e que eu era o herdeiro universal. Imagine o meu pasmo. Pareceu-me que lia mal, fui a meu irmão, fui aos amigos; todos leram a mesma coisa. Estava escrito; era eu o herdeiro universal do coronel. Cheguei a supor que fosse uma cilada; mas adverti logo que havia outros meios de capturar-me, se o crime estivesse descoberto. Demais, eu conhecia a probidade do vigário, que não se prestaria a ser instrumento. Reli a carta, cinco, dez, muitas vezes; lá estava a notícia.

- Quanto tinha ele? perguntava-me meu irmão.

- Não sei, mas era rico.

- Realmente, provou que era teu amigo.

- Era… Era…

Assim, por uma ironia da sorte, os bens do coronel vinham parar às minhas mãos. Cogitei em recusar a herança. Parecia-me odioso receber um vintém do tal espólio; era pior do que fazer-me esbirro alugado. Pensei nisso três dias, e esbarrava sempre na consideração de que a recusa podia fazer desconfiar alguma coisa. No fim dos três dias, assentei num meio-termo; receberia a herança e dá-la-ia toda, aos bocados e às escondidas. Não era só escrúpulo; era também o modo de resgatar o crime por um ato de virtude; pareceu-me que ficava assim de contas saldas.

Preparei-me e segui para a vila. Em caminho, à proporção que me ia aproximando, recordava o triste sucesso; as cercanias da vila tinham um aspecto de tragédia, e a sombra do coronel parecia-me surgir de cada lado. A imaginação ia reproduzindo as palavras, os gestos, toda a noite horrenda do crime…

Crime ou luta? Realmente, foi uma luta em que eu, atacado, defendi-me, e na defesa… Foi uma luta desgraçada, uma fatalidade. Fixei-me nessa idéia. E balanceava os agravos, punha no ativo as pancadas, as injúrias… Não era culpa do coronel, bem o sabia, era da moléstia, que o tornava assim rabugento e até mau… Mas eu perdoava tudo, tudo… O pior foi a fatalidade daquela noite… Considerei também que o coronel não podia viver muito mais; estava por pouco; ele mesmo o sentia e dizia. Viveria quanto? Duas semanas, ou uma; pode ser até que menos. Já não era vida, era um molambo de vida, se isto mesmo se podia chamar ao padecer contínuo do pobre homem… E quem sabe mesmo se a luta e a morte não foram apenas coincidentes? Podia ser, era até o mais provável; não foi outra coisa. Fixei-me também nessa idéia…

Perto da vila apertou-se-me o coração, e quis recuar; mas dominei- me e fui. Receberam-me com parabéns. O vigário disse-me as disposições do testamento, os legados pios, e de caminho ia louvando a mansidão cristã e o zelo com que eu servira ao coronel, que, apesar de áspero e duro, soube ser grato.

- Sem dúvida, dizia eu olhando para outra parte.

Estava atordoado. Toda a gente me elogiava a dedicação e a paciência. As primeiras necessidades do inventário detiveram-me algum tempo na vila. Constituí advogado; as coisas correram placidamente. Durante esse tempo, falava muita vez do coronel. Vinham contar-me coisas dele, mas sem a moderação do padre; eu defendia-o, apontava algumas virtudes, era austero…

- Qual austero! Já morreu, acabou; mas era o diabo.

E referiam-me casos duros, ações perversas, algumas extraordinárias. Quer que lhe diga? Eu, a princípio, ia ouvindo cheio de curiosidade; depois, entrou-me no coração um singular prazer, que eu, sinceramente buscava expelir. E defendia o coronel, explicava-o, atribuía alguma coisa às rivalidades locais; confessava, sim, que era um pouco violento… Um pouco? Era uma cobra assanhada, interrompia-me o barbeiro; e todos, o coletor, o boticário, o escrivão, todos diziam a mesma coisa; e vinham outras anedotas, vinha toda a vida do defunto. Os velhos lembravam-se das crueldades dele, em menino. E o prazer íntimo, calado, insidioso, crescia dentro de mim, espécie de tênia moral, que por mais que a arrancasse aos pedaços, recompunha-se logo e ia ficando.

As obrigações do inventário distraíram-me; e por outro lado a opinião da vila era tão contrária ao coronel, que a vista dos lugares foi perdendo para mim a feição tenebrosa que a princípio achei neles. Entrando na posse da herança, converti-a em títulos e dinheiro. Eram então passados muitos meses, e a idéia de distribuí-la toda em esmolas e donativos pios não me dominou como da primeira vez; achei mesmo que era afetação. Restringi o plano primitivo; distribuí alguma coisa aos pobres, dei à matriz da vila uns paramentos novos, fiz uma esmola à Santa Casa da Misericórdia, etc.: ao todo trinta e dois contos. Mandei também levantar um túmulo ao coronel, todo de mármore, obra de um napolitano, que aqui esteve até 1866, e foi morrer, creio eu, no Paraguai.

Os anos foram andando, a memória tornou-se cinzenta e desmaiada. Penso às vezes no coronel, mas sem os terrores dos primeiros dias. Todos os médicos a quem contei as moléstias dele, foram acordes em que a morte era certa, e só se admiravam de ter resistido tanto tempo. Pode ser que eu, involuntariamente, exagerasse a descrição que então lhes fiz; mas a verdade é que ele devia morrer, ainda que não fosse aquela fatalidade…

Adeus, meu caro senhor. Se achar que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha: “Bem-aventurados os que possuem, porque eles serão consolados.”

Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis

criado por waldir.alves807    12:33 — Arquivado em: Sem categoria
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